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Dieta higienista

Os adeptos da dieta higienista - ainda pouco conhecida no Brasil - seguem três princípios básicos na alimentação: não misturar os alimentos, alimentar-se nos horários certos e comer, de preferência, alimentos crus. Elaborada na década de 1950 pelo cientista norte-americano Herbert Sheldon, a dieta higienista promete limpar o organismo, mas, ainda provoca polêmica entre nutricionistas e endocrinologistas. De acordo com a dieta higienista, é preciso combinar corretamente os alimentos para que não haja dificuldade de digestão.
Por isso, as proteínas não podem ser misturadas com carboidratos, ou seja, não é recomendável fazer a combinação de carne com arroz, carne com batata, carne com massas ou peixe com arroz. Além disso, proteínas de origens diferentes não devem ser misturadas como carne com laticínio (queijo) ou ovo com laticínio. Porém, há controvérsias mesmo entre os profissionais sobre a combinação de alimentos propostos por esta dieta. O conceito da dieta higienista "é uma dieta saudável, uma alimentação sem muita gordura ou até sem carne vermelha, como a dieta vegetariana ou a macrobiótica. Mas não há nenhum fundamento científico em não combinar carboidrato com proteína", diz a nutricionista Maria Aparecida Larino. "Uma dieta saudável é a que reúne todos os nutrientes em uma refeição, pois o organismo possui substâncias para digerir todos os alimentos."

Na opinião da nutricionista, uma refeição saudável é a que inclui lipídios, proteínas, vitaminas, minerais e carboidratos. "O carboidrato tem a função de fornecer energia e por isso é importante para o organismo. Não adianta nada só ingerir proteína", alerta. Segundo Maria Aparecida, as pessoas que fazem este tipo de restrição alimentar poderão ter deficiências no organismo e alterações metabólicas por não estarem ingerindo os nutrientes necessários. A carne vermelha, por exemplo, é fonte de ferro e o único alimento que possui a vitamina B12 . Nos grãos, também há ferro, mas o nutriente não é tão absorvido pelo organismo como o ferro da carne. "Quem segue uma dieta vegetariana, normalmente, tem que fazer uma suplementação vitamínica", explica a nutricionista.

Em relação aos alimentos crus se deve, sempre que possível, evitar o cozimento, pois neste processo há perda de vitaminas. "Mas não é preciso necessariamente comer todos os alimentos crus. Os legumes, por exemplo, têm de ser cozidos, para não dificultar a digestão", alerta. Além disso, a nutricionista também ressalta a importância de se comer nos horários certos. Segundo ela, quando se dorme, gasta-se muita energia, que será reposta no café da manhã.

Depois de quatro ou cinco horas, ou seja, por volta do meio-dia, o metabolismo já precisa receber mais calorias e nutrientes. "Se não se respeitar este horário, há uma baixa de glicose no organismo e a pessoa começa a ter tontura e a sentir dor de cabeça." E, quando alguém permanece mais de cinco horas sem comer, na refeição seguinte, juntará a necessidade fisiológica com a vontade de comer. "Como conseqüência, a pessoa acaba comendo em excesso, a digestão fica prejudicada e há um ganho de peso", diz.

A mesma opinião tem a nutricionista Selva Mota Fierro, "Cada refeição deve ter um alimento de cada grupo." E explica "As gorduras e açúcares compõem os energéticos extras; os pães e cereais são os energéticos; frutas, verduras e legumes são os reguladores e leite, carne, queijo e feijão são os alimentos construtores. Mas, para não engordar, é necessário que os energéticos extras sejam consumidos com moderação", alerta.

Segundo a nutricionista, quem quer emagrecer não precisa se preocupar em separar os alimentos. "É possível comer de tudo e emagrecer. Mas depende, por exemplo, do tipo de carboidrato que se escolhe: pode ser um pão integral ou um bolo. Quem quer emagrecer deverá escolher o alimento menos calórico", explica. Engordar significa comer mais do que gastar e para emagrecer ninguém precisa se privar de comer alguns alimentos. Se você tem vontade de comer um bombom, por exemplo, não há problema nenhum, desde que se compense o 'exagero' no dia seguinte ou nas outras refeições. "Este tipo de alimentação, em que se come todos os nutrientes em cada refeição, é uma mudança de hábito, uma reeducação alimentar para a vida inteira. E, para emagrecer, basta fazer opções inteligentes.